Este evento aposta que a leitura acontece em múltiplos lugares, com diferentes potências que ativam forças que embaralham partilhas nas ruas, dos muros nas encruzas. Em um semáforo, a mendicância e a poesia, a artista e o desempregado invocam afetos decoloniais que fortalecem o comum em suas diferenças e clamam por justiça, por fraternidade, pela dignidade da vida e do que é vivo.
Na Rua procede o mundo que precede a leitura da palavra. A Rua é um mundo que não se acaba, é barricada, esperança e medo. A rua é risco, perigo de vida, perigo da vida. É passeata, poesia e teatro. É dança, maracatu e carnaval, é bêbada e equilibrista. A rua é triste, nem moço bonito e moça bonita; tem sangue, tem pedra e beijo no asfalto. É bicicleta ao meio-fio e pé descalço de terra. A Rua tem coturno, mas tem chinelo. Ocupemos a rua para lutar pela vida, pela paz e respeito à despedida. Rua que corre, que escorre, que derrama em si mesma e se acaba, que começa de novo em outra vida.
Pedimos ajuda aos professores, aos artistas e aos movimentos sociais para pensar, e sermos pensados, pelas potências, pelos pesos, pelos perigos e pelos afetos que as Ruas nos impõem. Estejamos expostos ao seu comando, às suas leituras. Este evento convida também professores e professores, bibliotecários e bibliotecárias, alunos e alunos de graduação e de pós-graduação, profissionais da educação básica, educadores sociais, coletivos e movimentos educadores para se juntarem nós, apresentando seus trabalhos, seus feitos, seus pensamentos que atravessam as calçadas, que criam pontes e cavam túneis, para entrar, mas também e para sair das ruas.
Comissão Organizadora
Débora Marshall